auto-conhecimento, Consciência

Consciência para comer carne… ou não

Minha filha veio esta semana e disparou: vou parar de comer carne!  Como é bom aprender com estas crianças! Tá certo que ela está crescidinha, e já começa a demonstrar um intenso envolvimento com a busca de si mesma, cultivando uma espiritualidade livre e aberta. Minha ex-esposa começou com essa onda: vegetarianismo. Yoga. Meditação. Engraçado. Eu adoro uma picanha, uma lingüiça apimentada… um filé de frango, um sashimi… Mas algo começou a acontecer no meu corpo, a partir deste ano. Mesmo gostando de carne, começou a não me fazer bem. Comia, e pouco tempo depois, tinha que ir ao banheiro.

Pois é! É verdade! O corpo reagia como que se estivesse expulsando aqueles elementos do organismo. E eu insistia. Sou bem cabeça dura, e muito apegado às minhas compulsões. Deus fala algo, e eu finjo que não ouvi. Aí ele grita!!! Bem… fato é que ainda não sou totalmente vegetariano. E a sincronicidade maravilhosa e perfeita do universo continuava a me lembrar para olhar para o que estou colocando no meu organismo.

Estava eu finalizando minha tatuagem, e um dos tatuadores, Anselmo, vegetariano há 4 anos, enquanto trabalhava, deixou rolar um vídeo mostrando a questão da carne e todos os seus efeitos. E justo eu, que me achava um cara tão esperto, simplesmente não olhava para o que realmente significa essa matança desenfreada de animais. O que significa espiritualmente, economicamente, emocionalmente e energeticamente ingerir carne de animais que morreram agonizando. É verdade, cara! Eles morrem agonizando… a picanha que eu tanto gosto vem de um boi que, antes de ser abatido, está em estado de choque, despejando uma quantidade absurda de toxinas na própria carne que depois vai pro prato (e para o meu corpo!), apavorado com a morte horrenda que se aproxima. Sim, ele sabe. E ao chegar perto do cara que dispara um tipo de revólver que não mata o bicho, ele tenta fugir. Mas vem o disparo… e pasmem: não é fatal. O frigorífico deixa o animal vivo, para que o coração continue batendo, e quando é feito o primeiro corte abaixo do pescoço, o sangue possa jorrar abundantemente, enquanto o animal se debate, em espasmos. Cara, o animal está vivo ainda! E aí se iniciam os primeiros cortes de retalhamento, e aos poucos ele, finalmente, morre. Pendurado de cabeça pra baixo, torturado, mal tratado.

Não estou fazendo campanha para parar de comer carne. Eu comia até agora. E percebo que a questão de qualquer compulsão, seja ela por carne, comida, compras, sexo, álcool, drogas, TV, cigarro, informação e até espiritualidade ou livros, necessita um imenso banho de consciência, para que aos poucos, a necessidade de atitudes desnecessárias cessem. Naturalmente. Quando a luz vai chegando, a sombra desaparece. Não é preciso esforço. Não é feito com a cabeça.

Eu sempre me achei um cara muito, mas muito espiritualizado mesmo. Até o pescoço de espiritualidade. Tanta espiritualidade que jorrava luz pelas orelhinhas… Eu achava… eheheheh. Bem, a mente se engana muito. Internamente, algo em mim necessitava da violência. E como a humanidade tornou-se mais “civilizada”, quer dizer, não saímos mais pela rua dando machadadas na cabeça de qualquer um e agarrando a mulher pelos cabelos para acasalar, a violência se internalizou e se sutilizou. Necessitamos de filmes de ação. Necessitamos de muita informação… e talvez você não perceba o quanto de violência ingere com esta informação. Necessitamos competir pelo dinheiro. Ser melhor que o colega do serviço ou o concorrente do mesmo ramo. Temos inveja. Geralmente mágoa dos pais e do passado. Temos medo, muito medo de não ter dinheiro, da miséria, da doença, da morte. Fé? Tá brincando, né! Que é isso?

Bem, pelo menos, eu sou assim. E comecei a tomar consciência. Sem culpa, sem achar que vou pro inferno. Cara: olhe o vídeo que coloquei abaixo e você verá que o inferno está aqui. Não posso mais admitir que eu ainda tenha hábitos tão destrutivos, sem o menor espírito de compaixão… e o pior: tenho! Mas peço a graça do Universo para que eu possa, aos poucos, ir purificando meu sistema interno – emoções, crenças, atitudes, e assim acessar verdadeiramente a compaixão por tudo e por todos. Para mim, isso é espiritualidade… e é o que o eu busco. Que tenhamos um mundo mais pacífico, a partir de um homem mais pacífico. Isso quer dizer: que eu esteja em paz comigo mesmo, com minhas emoções, minhas crenças, meus pensamentos e meu corpo… assim, terei hábitos mais pacíficos, naturalmente. Sem precisar forçar nada, nem deixar de fazer aquilo que ainda não estou pronto para deixar. Mas pronto para deixar aquilo que percebo não fazer mais sentido.

Obrigado, filha…

(tá a fim de uma vivência em retiro, para ativar a consciência e perceber o que existe ainda dentro que impossibilita você de acessá-la? “Despertando para a felicidade”, com Theresia Spyra, no paraíso ecológico de Matutu-MG, constelação, meditação, comida vegetariana, fogão de lenha, simplicidade, luz de velas… Se tá a fim, clique aqui e saiba mais!)

Os vídeos abaixo foram produzidos pelo Instituto Nina Rosa (http://www.institutoninarosa.org.br/)

 

Sobre alexpossato

Facilitador para comunicação sistêmica e espiritualidade no trabalho

Discussão

Uma resposta para “Consciência para comer carne… ou não”

  1. .
    Não me esqueço de um filminho que vi na TV Cultura que mostrava as plantas gritando, quando uma tesoura ia se aproximando como se fosse cortá-la ,…e então penso que as plantas também sofrem…e que destruindo as florestas estamos matando muitos animais e acabando com água também…
    Acho que por isso os jovens estão com insights, porque são eles que vão ficar com a parte pior, horrosa, que “pretendemos deixar” deixar para eles…
    A minha sobrinha também não come mais carne…eu não como da vermelha, porque meu médico disse para não comermos lá em casa…para não ficar com colestrol alto e não ter dores no corpo…nem ácido úrico alterado.
    Margarida

    Publicado por Margarida Quintal | 21 21UTC outubro 21UTC 2011, 5:15 pm

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